Médica ginecologista destaca a importância do acompanhamento contínuo em todas as fases da mulher
Outubro é o mês em que a prevenção do câncer de mama ganha maior visibilidade. As campanhas se multiplicam, o rosa ocupa diferentes espaços e a importância do diagnóstico precoce volta ao centro das conversas. Mas, existe uma reflexão que precisa acompanhar as mulheres durante os outros onze meses do ano: quando foi a última vez que você olhou para a própria saúde com a mesma atenção que dedica às pessoas ao seu redor?
Entre os compromissos profissionais, a família e as responsabilidades do cotidiano, muitas mulheres acabam deixando o próprio cuidado para depois. Adiam consultas, convivem com sintomas e, não raramente, atribuem mudanças no corpo ao envelhecimento, sem buscar compreender o que está acontecendo.
Para a ginecologista e obstetra Dra. Renalda Lima Santos, o Outubro Rosa representa uma oportunidade de reforçar a prevenção do câncer de mama e do colo de útero, mas também de ampliar o olhar sobre a saúde feminina. “É uma data significativa para o cuidado feminino, porém, esses momentos não devem acontecer apenas quando surge um sintoma ou durante uma campanha de conscientização, mas sim, diariamente”, enfatiza a médica.
Uma nova fase exige um novo olhar
A partir dos 40 anos, muitas mulheres começam a perceber que o corpo já não responde da mesma maneira. O sono muda, a disposição diminui, o peso pode ficar mais difícil de controlar, o ciclo menstrual se torna irregular e a libido pode sofrer alterações. Esses sinais podem estar relacionados à perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa, mas também podem ter outras causas que precisam ser investigadas.
A menopausa é caracterizada pela última menstruação após 12 meses consecutivos sem menstruar, sendo uma etapa natural da vida feminina. Isso, entretanto, não significa que os sintomas ou as mudanças associadas a essa fase devam ser ignorados. As alterações hormonais, especialmente a redução dos níveis de estrogênio, podem influenciar diferentes aspectos da saúde. Além dos sintomas mais conhecidos, como ondas de calor e alterações do sono, essa fase merece atenção especial à saúde óssea, cardiovascular, metabólica e sexual.
Por isso, reforça a Dra Renalda, o acompanhamento ginecológico precisa ir além da avaliação dos sintomas imediatos. É importante considerar o histórico de saúde, os fatores de risco, os hábitos de vida e as necessidades individuais de cada mulher. “Conhecer o próprio corpo, procurar avaliação diante de alterações e realizar os exames de rastreamento conforme as recomendações aplicáveis a cada mulher são medidas importantes para favorecer a detecção precoce do câncer de mama”, lembra a médica.
Na menopausa, esse cuidado deve estar integrado a uma avaliação mais ampla. O acompanhamento também permite identificar fatores de risco para doenças cardiovasculares, osteoporose e alterações metabólicas, além de orientar estratégias para preservar a massa muscular, a saúde sexual e a qualidade de vida.
A médica lembra que nem todas as mulheres precisam dos mesmos exames ou tratamentos. Da mesma forma, nem todo desconforto está relacionado aos hormônios. A avaliação individualizada é fundamental para compreender as causas dos sintomas e definir as condutas mais adequadas. “O Outubro Rosa nos convida a lembrar da importância da prevenção. Mas, a saúde da mulher não pode ficar restrita a uma data no calendário. Envelhecer é um processo natural. E viver essa nova fase com saúde, informação e qualidade de vida deve fazer parte das escolhas de todos os dias”, enaltece Dra Renalda.
Foto: GOV/ Divulgação


